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Das cartas que não te enviei...! - I

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Tenho resistido bravamente à vontade que tenho de te falar, de te escrever. Guardo uma caixa de rascunhos, cheia de e-mails escritos e não enviados, como se ao escrever, eu pudesse exorcizar todas as tuas lembranças, que me açoitam a alma e  o coração A minha pele, a minha boca, ainda ainda quarda  o sabor da tua . E o meu corpo... Ah, o meu corpo! Ainda teima em guardar o toque de tuas mãos. Ah, o toque das tuas mãos...! Como podem as lembranças nos assombrar assim? O vazio que ficou ainda é avassalador. Ainda me perco nesta vontade quase constante de te contar os meus dias e as minhas noites. De partilhar contigo aquelas coisas pequeninas que me habituei a dividir por dois. Das intermináveis horas ao telefone, do acordar ao som da tua voz... Sinto saudades, como sinto... de nossas fantasias, de nossos diabinhos soltos, fazendo mil travessuras, de como nos deixávamos embriagar de desejos ao imaginar mil formas de prazer... Descortinamos um mundo encantado, diria que quase irreal, de como nos propúnhamos a viver o prazer entre um homem e uma mulher... Mas o mundo é tão real em suas cobranças, em nos moldar ao seu jeito, em nos mostrar que sonhos são apenas sonhos... Talvez tenhamos exagerado no nosso sonhar... Ainda me assusta saber que não devo pegar no telefone de cada vez que quero muito falar contigo. Ainda olho o nosso telefone ( sim, eu tinha um telefone só para voce, para nós...), na gaveta, como que na esperança de alguma chamada tua... Ainda me invade uma sensação estranha ao amanhecer, quando ouvia o toque do celular e ainda meio sonolenta ouvia tua voz, e era o bastante para ser sempre primavera em meu viver... Ainda me aterroriza o silêncio que fica em vez da tua voz. E ainda me sinto fraca e vulnerável por não ser capaz de lidar com isto de outra maneira. Ainda... E são ainda tantas as noites em que adormeço rendida ao cansaço, por já não ter mais forças para lutar contra as saudades que sinto de ti. Não devo perdir desculpas, voce já me disse isso. Mas como não te perdir desculpas por me sentir assim, tão fraca, tão frágil, diante da tua ausência, da falta que sinto de você... As vezes sinto que essas lembranças somem, desaparecem, como neblina no cálido calor do sol da manha, outras vezes me chegam assim, de chofre e me invadem, como uma avalanche, que nada deixa nada  pela frente, e me deixa assim, tão frágil, soterrada sob recordações do que vivemos e do quão pouco que restou desse amor...





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Foi assim...!

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Foi há exatos dois meses, lembra-se? (...) De uma forma totalmente inusitada, nos encontramos em um local, onde a possibilidade de algo mais sério e profundo estava totalmente descartada. Eu buscava a aventura, a brincadeira, a irreverência, uma conversa inteligente para preencher a solidão de um tarde de domingo, tu buscavas satisfazer tua curiosidade, algo que pudesse preencher tuas fantasias...
Não procurávamos o amor, mas hoje, creio, ele estava a nossa procura...
Quando nos dissemos ”oi!” e perguntaste se um ”presentinho” me surpreenderia, respondi que não era por aí que gostaria de ser surpreendida... Foi a deixa que esperavas para começar um delicioso jogo de palavras e sedução, que nos prendeu ali por várias horas, até que ficássemos incomunicáveis...
Outras e outras e mais outras conversas, intermináveis horas, que sempre passavam voando, se seguiram à aquele dia... Quando surgiste na minha frente, te olhei nos olhos e senti o gosto do seu beijo, o cheiro do seu corpo, ali, naquele momento eu sabia que estava completamente apaixonada. Teu cheiro, uma mistura máscula de homem e de uma loção pós-barba, invadiu meu olfato, um cheiro que guardo impregnado em mim até hoje. Passamos pelo teste da “química”, uma química deliciosamente inexplicável, onde o roçar da tua pele na minha, provocava um frisson incontrolável, e a urgência de nossos corpos nos impelia a uma louca atração física, já que nossas almas já se completavam... Descrever os momentos, as horas que se seguiram ao nosso encontro, seria impossível...Não foi sexo. Sexo é m..., f..., t..., c..., f..., essas coisas que não cabiam ali naquele ato... E usar essas palavras chulas e vulgares para definir nosso ato , seria uma heresia... Também não fizemos amor, amor não se faz, droga! Estava pronto, moldado em nossos corações, em delicadas formas e belos arabescos . Ele existe, existia, estava entranhando em nós. Estávamos repletos de amor. O amor nos inundou feito represa arrebentando... Assim aconteceu conosco, uma inundação de amor. Quando me tomaste nos braços, estreitando-me contra teu corpo alto e forte, eu queria oferecer-me a você, queria fundir-me ao teu corpo, queria tornar-me uma extensão tua, um único corpo, preenchido pelo amor. Queria dizer: Toma-me, sou tua! Não uma entrega física, mas uma entrega de alma... Queria que me tomasse e me amasse, como se fosse algo sublime e profano ao mesmo tempo ,que recebesse meu corpo em tuas mãos, e nele moldasse o amor, em todas as tuas formas, cores, sons e aromas. Fazendo do intocável, do efêmero, a personificação de uma paixão. Terás percebido que te entreguei muito mais que meu corpo? Que te entreguei minha vida? Percebes agora que preciso de ti para continuar vivendo, e continuo precisando de ti para existir... E foi assim que nos vimos alagados, encharcados, ensopados por uma paixão e um amor que nos saciou todas as sedes, e nos deixou com doces lembranças e vontades-de-quero-mais...


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Com direito a trilha sonora...




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Assim vou te esquecendo...! II

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E passam-se as estações. Foi-se o outono, com suas árvores tingidas de vermelho, profusões de folhas pelo chão, dias curtos, noites longas e um friozinho anunciando o inverno, inverno que chegou rigoroso, trazendo mais gelo para um coração já petrificado depois de sua ausência. Um frio que tinge de branco a relva, nas noites de solidão em que suas lembranças são como fantasmas, a assombrar-me a alma. Uma lareira crepitante a um canto, pinta de dourado uma sala escura, projetando nas paredes imagens fantasmagóricas. Uma taça de vinho me faz companhia, acordes de uma triste melodia ecoa pelo ambiente, e trazem a minha memória, os momentos vividos com você, e uma dor cortante vai trespassando minha alma, numa certeza angustiante de que foram só momentos, nada mais que momentos. Fito as chamas, como se pudesse ver nas labaredas que sobem, o seu rosto, ou sentir no calor que emana desse fogo, o aconchego dos seus braços quando me abraçavam. Simulo um abraço com meus próprios braços, me encolho no tapete, e fico assim imóvel, e um frio que fogo nenhum aquece invade o meu corpo. Preciso de você, e essa dependência me angustia. Queria-te dispensável, descartável, algo para ser usado e jogado fora, uma noite de aventura e nada mais. Não assim, invadindo-me, ocupando espaços, destruindo todas as minhas resistências, abalando minhas estruturas, crescendo dentro de mim como uma planta parasita, sugando todas as minhas energias. Tuas lembranças são assim, queimando-me, ardendo em minhas entranhas, como as brasas que vão ficando na lareira. Sorvo mais um gole de vinho, troco a música, atiço o fogo, volto a fechar os olhos, sinto o calor que vem da lareira, e de novo me vejo invadida por essas recordações que queria ver reduzidas a cinzas, lembranças que transformam meu coração numa geleira glacial.



*Texto escrito em 29/06/2010.
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TUA MÃO...!

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"TUA MÃO

Autora: Isabella Benício


Quando achei que não eras nem mais lembrança
Algo esbarrou na memória do corpo.
Algo que pude reconhecer imediatamente
Porque muitas vezes
Já me havia furtado os sentidos.
Aquele toque inconfundível
Era a memória da tua mão.


Tenho saudade da tua mão.
Tua mão linda e ousada.
Tua mão firme e quente.
Mão que afaga indecentemente
Enquanto esbofeteia sonhos.


Hoje a saudade não é de ti
Entrando obscuramente em minha alma,
A roubar meus sentidos sem dó.
Hoje a saudade é da tua mão
Entrando devastadora entre minhas coxas,
A desnortear-me no teu doce despudor."



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Sou fã de carteira de Isaballa Benício. Por esse motivo não me canso de seus poemas!
Poemas para serem saboreados a qualquer momento!
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A Busca...!

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Cadê você ?

Quem perguntar por mim
Responde que sai por aí
Com a saudade nas costas
A decepção segurando a minha mão
Para não me deixar cair
Recair e afundar em ti

Fui

Fui para não ficar
Para não magoar
Nem ser magoada
Para não ter motivos para chorar

Se pisam em mim
Arregalo os olhos
Me levanto
Sacudo as dobras da tristeza
Desamasso o rosto

E sigo

Por uns dias ando sem destino
Sem olhar pra trás
Miro o horizonte e sigo

Deixo o sol me cegar
Para não ver a dor que estou sentindo
Deixo a chuva me molhar
Para lavar as lágrimas
Sigo a lua que não pára
Para não parar
Quebrei a bússola
Para não lhe encontrar

Se perguntarem por mim
Diga que estou escondida em mim
Tentando expulsar você de lá.

Se perguntarem por mim
Diz que estou voltando
Já consigo respirar
Dois corpos não cabiam em um só lugar
Em mim
Deixei você ir
Para que eu possa continuar
A ir ou voltar

Se perguntarem por mim
Diz que voltei
Ainda restam lembranças

Autora: Paula Barros
Blog: http://pensamentosefotos.blogspot.com/
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Há presentes e presentes... Esse poema recebi de Paula Barros, uma amiga querida,aqui desse pequeno grande mundo virtual...
Guardei por um tempo, mas agora pedi permissão a ela, e aí esta, para o deleite de todos os amigos que aqui visitam!
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Para quem não leu ainda, Traços de um Homem, postou um poema que escrevi a algum tempo. Um gesto de imenso carinho, de um amigo querido. Essa troca de carinho e energias positivas, é o melhor que podemos levar desse mundo virtual...

Vale a pena conhecer o Blog...Lindo!

http://tracosdeumhomem.blogspot.com/
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