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Desalento...!

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Hoje,quando olhei para céu, vi que a lua faltava um pedaço... Foi como se visse meu próprio coração...
Ele também está faltando um pedaço... Como a lua minguante.... Pedaço que o alguém levou e ainda não trouxe de volta. Sinto uma sensação de perda angustiante.
A noite se rendia ao brilho mágico daquele pedaço de lua... A dor de uma solidão estranha percorreu o meu corpo...
Era como se a dor se rendesse diante de tanta beleza em uma única noite...
E nessas horas, em que perco o rumo de meus pensamentos, começo a divagar... Pensamentos vários se afloram, vindos acompanhados de uma dolorosa sensação de impotência, que aos poucos vai tomando conta de mim... Me sinto inebriada com a dor...
Assim como a noite não controla a lua, que misteriosamente desafia os amantes, assim também, não consigo controlar meu sentimentos... Sentimentos que insistentemente me desafiam.... Que sentimento é este??? Amor atrevido! Amor invasivo! Amor cafajeste! Amor bandido!
Esse amor não pede licença... Chega de mansinho, como a lua, e se instala... Como uma raiz em terra fértil se apodera de minhas reservas... Coloca por terra qualquer tentativa de reação, de defesa, de luta...
Sinto-me frágil, diante dessa angústia.
Eu que pensei que era uma rocha... Ledo engano...
Me sinto reduzida a uma pequena e frágil flor... Flor que a tempestade de sentimentos que agora toma conta de mim, balança de um lado para outro freneticamente...
Tento me recompor... Ser firme... Mostrar que ainda sou capaz de lutar...
É nessa hora que junto meus sentimentos esparramados... E vejo mais uma vez, a força do vento que percorre as noites, açoitar e arremessar meu pobre e esfalecido coração ao chão...
Ah, a noite... Como é dolorosa a solidão ...
Ah, o amor! Só quem experimentou esse sentimento, sabe como é gostoso a busca eterna por ele...




O Grande Poeta já sabia...



Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
Ilustração: A Lua - óleo sobre tela de 1928 - Tarsila do Amaral
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Invasor...!

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Voce surgiu

Mansamente

E sem que eu notasse

Foi ocupando espaços

Invadindo

Meus pensamentos

Minha alma

Meu coração

E agora

O que eu faço?
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Ferimento Leve...!

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Seu Dotô venha correndo
Que um paciente te espera
Traga Remédios pra dor
E material pra curativo
Na dúvida traga também
instrumentos cirúrgicos
Se nada disso adiantar
Traga o padre seu Dotô
Que ele quer se confessar
Seu pecadado maior?
Desobediente e insando
Não teve medo do perigo
Desafiou a razão
Brincou com o destino
E se espatifou no chão!

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Relendo tudo isso, me lembrei do meu avô... Dado a repentes, estava sempre a compor versinhos assim, sempre acompanhado de um violão...rsrsrs
Uma linda época da minha infância!
Coisas das noites insones!
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Colisão...!

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Na contramão
da razão
meu coração
colidiu
explodiu...!
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