
Da janela da minha sala, vejo a vida que passa.
Meus olhos vislumbram a tênue linha que
separa "o céu da terra".
O horizonte se agiganta e desaparece das minhas vistas,
enquanto faço um esforço, em vão, para alcançá-lo.
Meu olhar vagueia por entre os carros que passam,
pelas pessoas que transitam absortas em seus pensamentos,
pelas árvores que balaçam indolentes ao sabor de
um vento que mais parece acariciá-las.
É uma tarde morna.
Daquelas que nos entediam, um convite ao ócio.
Uma sensação de dormência entorpece os sentidos.
Meu olhar cansado, ofuscado pela claridade, vai perdendo
o foco, e as imagens vão ficando retorcidas e embaçadas.
Sinto nos ombros o peso do mundo.
Os braços caem inertes ao longo do corpo,
O coração palpita forte e compassadamente
como se precisasse de mais ar.
Pernas cansadas, parecem ter cem anos.
Os pés, como chumbo, fixam-me ao chão.
Nem um músculo do meu corpo reage.
A boca exibe um sorriso que é mais um
rito do que já foi um dia.
As mãos frias se entrelaçam, como para ter certeza uma da outra.
Nesse ato de inércia e contemplação,
perco-me em meus devaneios.
Estou à procura de mim.
PS: Meu carinho especial a todos que aqui estiveram, deixando palavras de incentivo, força, carinho...
O meu muito obrigada!
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