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Preciso-te...!

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Nessa tarde morna de novembro, deixo-me ficar a pensar em ti. Meus pensamentos vagueiam por todos os cantinhos de nossas lembranças. Lembranças do que vivemos, lembranças das emoções e sensaçães que experimentamos de forma tão intensa e completa. Meu corpo nasceu para se aninhar no teu, e minhas mãos para se entrelaçarem nas tuas, nessa entrega, onde de olhos fechados, sabíamos todos os caminhos do prazer...
Sinto um sufoco no peito. O corpo paralizado, se nega a obedecer a qualquer comando de reagir... Uma saudade angustiante devora-me por dentro, uma vontade lancinante de ti. Minha boca guarda o sabor da tua quando petiscavas beijos, e meu corpo guarda as sensações provocadas por teus carinhos atrevidos. Quero-te. Necessito-te. Preciso-te. Há em mim uma urgência de sua presença, para que eu possa sair desse estado de torpor provocado por essa falta insuportável que me fazes....




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Ilustração: Briar Rose, by Alexandra Dawe

PS: Texto escrito em 18/11/2010 às 17:35

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Memórias do meu corpo...!

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De olhos abertos, ou de olhos bem fechados, tuas lembranças dominam-me. Minha pele gravou o toque de tuas mãos, minha boca o sabor de teus beijos, e meu corpo o calor do teu corpo.

Viciante e inebriante, as sensações de ter-te em meus braços, e de perder-me nos braços teus está gravado como tatuagem em meus sentidos. Tento separar pedaços dessa lembrança e sinto como se tudo estive embaralhado. Teu corpo, tua voz, teus olhos, tua boca, teu sorriso, teu gosto, teu cheiro, teu sabor. Estás em mim, sai-me pelos poros, sinto tua presença, teu hálito quente ao me beijar, preenchendo minha boca com aquele beijo que começa pelo canto da boca até tomá-la por inteiro, roubando-me a noção do tempo. Tuas mãos tocam-me, com aquela leveza e despudor que entorpecem meus sentidos, fazendo-me levitar, num frenesi que dói a garganta, a boca fica seca, faltando-me o ar...

A tua falta angustia-me, tortura, lacera, trespassa minhas entranhas. Tento enganar o tempo, fujo de mim, me escondo em outros lugares, como se assim tuas lembranças não pudessem me perseguir, mas você está em mim, entranhado na minha derme , e o desejo de ti a caminhar em mim, tateando meus segredos, como naquele dia, deixa-me exaurida...
Quero-te! Quero tua presença, teu sorriso, tua voz sussurrando em meus ouvidos palavras inconfessáveis...Esse querer é doído,uma dor sublime, como se voce, sem querer, tivesse levado a melhor parte de mim, a parte que faz-me mais falta, para respirar, comer, dormir, sonhar, sorrir...

Tenho medo de ficar sozinha com tuas lembranças, elas acabrunham-me. Feito menininha medrosa em noites de tempestade, me escondo, cubro a cabeça com o cobertor, tapo os ouvidos com o travesseiro, na tentativa de livrar-me das recordações de nós, tudo inútil... Estás dentro de mim, no sangue que corre em minhas veias, no coração que pulsa em peito, tua imagem está guardada na retina dos meus olhos, em minha mente, em minha alma, em meu ser... Apoderaste de mim, invadiu-me, tomaste posse, senhor absoluto do meu pensar...




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Ilustração: Blue Nude. Pablo Picasso.
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Falta de voce

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Falta de voce




Sinto falta de seus braços me enlaçando em um abraço aconchegante e daquele abraço que me fazia sentir fugir o chão e ter somente seu corpo como apoio. Do jeito que passava braços em volta do meu corpo, e me aconchegava a você, numa conchinha prometida e cumprida...

Sinto falta de seus lábios roçando minhas orelhas, descendo pela minha nunca, arrancando arrepios e suspiros de um delicioso despudor. Sinto falta de sua boca mordiscando a minha, de seus lábios a brincar de um beija-não-beija tentador até que a sua língua a buscar a minha, lasciva e indecente a me beijar faminta como se ali ela pudesse saciar toda a sua fome, a nossa fome.

Sinto falta de suas mãos. Ah, as suas mãos, atrevidas, despudoradas, grandes, viris e exigentes, quando desabotoavam minha blusa e roçavam meus seios de uma forma a me levar ao nirvana, ou quando, desavergonhadamente, invadiam minhas coxas por sob a mesa e me faziam alcançar o delírio com força e poder, como se quisessem me fazer desmanchar em pedacinhos de prazer.

Sinto falta de você e de cada momento que vivemos. Sinto falta de você me puxando pelas mãos, me pegando no colo e me cobrindo de beijos. Sinto falta de você tirando meus sapatos, beijando meus pés e me enlouquecendo. Sinto falta da forma que me despia, me cobrindo de beijos a cada parte que descobria. Sinto falta, uma falta tão grande que chega a lacerar meu peito, uma falta de como me beijava inteira e me colocava sobre e mesa e me sorvia por inteira com lábios que ainda pulsam em mim. Falta de como me amava no sofá e de como assim era fácil conhecer o paraíso.

Ah, sinto falta! Falta do seu corpo sobre o meu, do calor, do frenesi,do êxtase que nos fundiam em um. Falta do seu sabor e cheiro, do seu gosto e do seu corpo.Sinto falta do beijo de boa noite, da maneira que ajeitava o edredom para me aquecer, do jeito que alisava meus cabelos com tanta ternura e carinho , da sensação de ficar alí, em seus braços, ouvindo sua respiração enquanto dormia, e de como eu me negava a adormecer, com medo de perder cada segundo ao seu lado. Sinto falta, uma falta que me faz faltar o ar, que arde, que queima, que lacera, que corrói o meu peito, que atormenta meus dias e torna minhas noites mais longas.
Falta de você!

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Ilustração: Mulher no Sofá, Van Dongen
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Desalento...!

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Hoje,quando olhei para céu, vi que a lua faltava um pedaço... Foi como se visse meu próprio coração...
Ele também está faltando um pedaço... Como a lua minguante.... Pedaço que o alguém levou e ainda não trouxe de volta. Sinto uma sensação de perda angustiante.
A noite se rendia ao brilho mágico daquele pedaço de lua... A dor de uma solidão estranha percorreu o meu corpo...
Era como se a dor se rendesse diante de tanta beleza em uma única noite...
E nessas horas, em que perco o rumo de meus pensamentos, começo a divagar... Pensamentos vários se afloram, vindos acompanhados de uma dolorosa sensação de impotência, que aos poucos vai tomando conta de mim... Me sinto inebriada com a dor...
Assim como a noite não controla a lua, que misteriosamente desafia os amantes, assim também, não consigo controlar meu sentimentos... Sentimentos que insistentemente me desafiam.... Que sentimento é este??? Amor atrevido! Amor invasivo! Amor cafajeste! Amor bandido!
Esse amor não pede licença... Chega de mansinho, como a lua, e se instala... Como uma raiz em terra fértil se apodera de minhas reservas... Coloca por terra qualquer tentativa de reação, de defesa, de luta...
Sinto-me frágil, diante dessa angústia.
Eu que pensei que era uma rocha... Ledo engano...
Me sinto reduzida a uma pequena e frágil flor... Flor que a tempestade de sentimentos que agora toma conta de mim, balança de um lado para outro freneticamente...
Tento me recompor... Ser firme... Mostrar que ainda sou capaz de lutar...
É nessa hora que junto meus sentimentos esparramados... E vejo mais uma vez, a força do vento que percorre as noites, açoitar e arremessar meu pobre e esfalecido coração ao chão...
Ah, a noite... Como é dolorosa a solidão ...
Ah, o amor! Só quem experimentou esse sentimento, sabe como é gostoso a busca eterna por ele...




O Grande Poeta já sabia...



Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
Ilustração: A Lua - óleo sobre tela de 1928 - Tarsila do Amaral
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Canção da Planitude...!

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Canção na plenitude



Autora: Lia Luft


Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.




O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.

Mais uma Grande Mulher da nossa literatura.
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Hoje Eu Queria...!

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Só hoje eu queria colo...
Só hoje eu queria seu peito forte
para recostar minha cabeça...
Só hoje eu queria seus braços
me envolvendo num abraço daquele que aquece a alma ...
Só hoje eu queria seu sorriso descontraido
me fazendo sorrir também...
Só hoje eu queria sentir o cheiro da sua pele
que me inebria...
Só hoje, eu queira voce falando
palavras doces em meus ouvidos...
Só hoje eu queria ficar conversando com voce
a noite toda...
Só hoje eu queria ficar deitada ao seu lado
olhando a lua e contando as estrelas...
Só hoje eu queria me enrroscar em voce
e sentir o calor do seu corpo...
Só hoje eu queria domir em seus braços...
Só hoje eu queria voce me contando mil histórias
madrugada afora...
Só hoje eu queria voce!
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